Hoje eu te vi.
Foi rápido. Um "oi", talvez um sorriso. Você falou com o pessoal e logo se foi. Eu fiquei. Fiquei parado, meio sem saber o que fazer com tudo o que senti. E agora que estou sozinho, essa sensação voltou. E me afunda.
Eu queria ter te abraçado. Só isso. Um gesto simples, mas que teria dito o que as palavras não podem. Que eu te amo. Que te ver me faz bem e me desfaz ao mesmo tempo. Que o som da tua voz fica ecoando mesmo depois do silêncio. Que teu rastro é mais forte que tua presença.
Mas eu não pude. Porque existe um limite entre nós. Invisível e intransponível. Eu respeito. Mas ele me rasga por dentro.
É estranho amar alguém assim, tanto, tão intensamente, e não poder fazer nada com esse amor. Nem confessar, nem tocar, nem ficar. Só sentir. E engolir.
Às vezes me sinto bobo por isso. Mas não consigo mudar o que sinto. Eu não escolhi. Só aconteceu. E agora você está aqui dentro de mim, mesmo quando vai embora. Especialmente quando vai embora.
Se um dia eu tiver coragem, ou permissão, talvez eu te diga isso olhando nos teus olhos. Mas até lá, deixo essas palavras aqui. Em silêncio, como eu sempre fiquei diante de você.
Com carinho, mesmo que em segredo.
De alguém que só queria te abraçar.

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